Ana Paula Maia, autora do drama sobrenatural ‘Desalma’, fala sobre a série original do Globoplay

0

entrevista Ana Paula Maia: “A ideia é trazer um costume diferente, que é lindo e está praticamente apagado, e que também faz parte do Brasil.”

Ana Paula Maia, autora do drama sobrenatural 'Desalma', fala sobre a série original do Globoplay
Festa de Ivana Kupala / foto Estevam Avellar

Leia também entrevista com o diretor artístico, Carlos Manga Jr.

Grande fã de histórias do terror, a estreia de Ana Paula no audiovisual não poderia ser diferente: Ela é a autora da série original Globoplay ‘Desalma’, que estreia no próximo dia 22. O elenco reúne nomes consagrados e jovens talentos: Cassia Kis, Claudia Abreu, Maria Ribeiro, Bruce Gomlevsky, Anna Melo, Camila Botelho, Valentina Ghiorzi, entre outros. “‘Desalma’ é um drama sobrenatural, com camadas. É a não aceitação da morte e tem relação com transmigração de almas. Esse tema tem muito a ver com o meu universo. Gosto de terror e sobrenatural desde pequena e tenho uma trajetória com histórias do gênero em toda a minha vida.”, conta Ana Paula.

A premiada escritora de livros, vencedora do Prêmio São Paulo de Literatura, se mudou do Rio de Janeiro para Curitiba há quatro anos, onde começou a identificar os costumes e tradições de outros povos. “Meu primeiro impacto foi na comida, até que eu comecei a ver os bosques, os parques da cidade, as festas típicas, os vários grupos folclóricos. Achei isso muito impressionante e pensei que o resto do Brasil precisava conhecer o que existe ali”, conta Ana Paula.

LEIA TAMBÉM

‘O Clone’ estreia no Globoplay. Leia entrevista com Gloria Perez e Giovanna Antonelli

Foi em Prudentópolis, cidade do Paraná, que a escritora se aprofundou nas tradições da Ucrânia e se inspirou para a série. “O leste europeu é extremamente místico. Peguei essa atmosfera muito rica culturalmente para uma história com elementos sobrenaturais. A ideia é trazer um costume diferente, que é lindo e está praticamente apagado, e que também faz parte do Brasil”, completa.

Ana Paula Maia, autora do drama sobrenatural 'Desalma', fala sobre a série original do Globoplay
Ana Paula Maia

Você tem sete livros publicados. É de onde vêm a sua linguagem e o seu interesse por esse tipo de tema?
A grande influência da minha literatura é Sergio Leone, então meus livros têm cara de faroeste, onde os personagens não são pobres coitados. É um universo muito diferente do que fiz para o audiovisual. ‘Desalma’ não tem absolutamente nada a ver com os livros, é um projeto que tem a ver com as minhas referências de série e cinema.

Quem é o protagonista de ‘Desalma’?
‘Desalma’ não tem um protagonista, mas uma linha de frente. São basicamente as mães das famílias diretamente envolvidas na tragédia e nos mistérios. As mulheres têm um protagonismo muito grande em ‘Desalma’ – muito diferente da minha literatura, que fala sobre homem. É a primeira vez que eu escrevo sobre mulheres, a história tem uma relação forte com a maternidade.

De onde veio a ideia de inserir a cultura ucraniana?
Eu moro em Curitiba há quatro anos e foi lá onde comecei a identificar os costumes e tradições de outros povos. Meu primeiro impacto foi na comida, até que comecei a ver os bosques, os parques da cidade, as festas típicas, os vários grupos folclóricos. Comecei a achar isso muito impressionante e pensei que o resto do Brasil precisava conhecer o que existe ali. Então, me aprofundei nessa cultura em Prudentópolis, cidade do interior do Paraná, foi lá que me inspirei para criar ‘Desalma’. A maior comunidade ucraniana fora da Ucrânia é no Brasil. Eles mantêm vivas as festas, as tradições, e quase ninguém sabe nada sobre isso. Além disso, o leste europeu é extremamente místico. Peguei essa atmosfera muito rica culturalmente para uma história com elementos sobrenaturais. A ideia era trazer um costume diferente, que é lindo e está praticamente apagado, e que também faz parte do Brasil.

Como foi o trabalho com o Carlos Manga Jr. e a equipe de produção?
Como eu escrevo sozinha e tenho essa independência criativa, fico encantadíssima quando o projeto vai para a mão de outros profissionais. O Manga é um diretor que tem mão para histórias mais densas, um lugar mais sombrio e estrear nesse gênero com ele é uma alegria muito grande. A gente tem um gosto parecido e as referências semelhantes. Quando o diretor e o autor transitam no mesmo universo ajuda muito. Fico impressionada com todo o processo, uma coisa que nunca vivi antes, ver o texto tomando forma, se materializando. Poder ver o projeto se tornando algo grandioso, com muitos atores, é algo incrível.

Entrevista Carlos Manga Jr.

O diretor artístico de Desalma, Carlos Manga Jr, conduziu a direção da série com um objetivo bem claro: criar um clima de suspense, apreensão e até mesmo um certo incômodo. “É uma série que trabalha no subliminar. Nosso foco foi criar a atmosfera e gerar um estado de suspensão. Os elementos sobrenaturais existem porque eles fazem parte da atmosfera mística, que é carregada de metafísica. O público sabe que acontece, mas não vê; ele apenas percebe. Esses elementos falam de sobrenatural à medida em que falam de densidade. Se eu pudesse usar três palavras para definir a atmosfera de ‘Desalma’ seriam densidade, estranheza e rigor”, pontua. 

O diretor contabiliza uma trajetória com reconhecimento internacional. Ele conquistou sete leões de ouro no Festival de Cannes por seus bem-sucedidos trabalhos em publicidade, uma carreira em que dirigiu Leonardo Di Caprio e trabalhou com outros grandes profissionais do cinema.

Ana Paula Maia, autora do drama sobrenatural 'Desalma', fala sobre a série original do Globoplay
Cap 07 – Festa de Ivana Kupala, Carlos Manga Jr. foto Estevam Avellar

Sua primeira passagem pela Globo aconteceu entre 1991 e 1994. Aos 24 anos, foi um dos diretores da novela ‘Vamp’ (1991) e, no ano seguinte, de ‘Despedida de solteiro’ (1992). Além disso, dirigiu três episódios do programa ‘Você Decide’. De volta aos Estúdios Globo, em 2017, Carlos Manga Jr. foi diretor artístico de ‘Se eu fechar os olhos agora’, indicado ao Emmy Awards, e ‘Aruanas’.

Que elementos refletem o gênero sobrenatural?
O grande desafio de fazer gênero é acertar na escolha dos códigos. A primeira coisa para falar da embalagem de ‘Desalma’ é o figurino, que tem dois momentos: um em que ele quase não aparece, mas desperta o interesse; e outro que ele aparece e aborda questões folclóricas. De início, procuramos uma paleta de cores neutra, já que os tons são todos rebaixados. Indo de encontro à direção sugerida, o figurino é todo conectado. No caso de Haia, por exemplo, é preciso que o público acredite que ela bordou sua própria capa, que ela usa aquele casaco há muitos anos ou que foi passado de mãe para filha. Tudo em ‘Desalma’ tem que ter cheiro, você acredita que aquilo é real. Na fotografia, a gente foge dos clichês. Gravamos muitas cenas diurnas no extremo sul do Brasil, onde achamos esse bosque cercado de árvores. A sensação é que a floresta é infinita. São árvores imensas e praticamente geométricas em colunas, onde o sol não consegue ultrapassar. É como se fosse um tabuleiro de xadrez: quando você está no meio desse bosque, você olha em volta e são árvores e mais árvores. A luz praticamente não chega nas pessoas. É muito interessante porque você sabe que é dia, mas a atmosfera é densa, porque o sol não consegue ultrapassar essa barreira. É muito bom não ter que usar a noite e o escuro para ser um código de thriller.

Como você define as três personagens centrais da trama – Haia, Ignes e Giovana?
O personagem da Cássia Kis é central porque ela é o pivô de toda a trama. A Giovana, personagem da Maria Ribeiro, é uma mulher urbana e cosmopolita que chega de São Paulo depois de perder o marido, que é de Brígida e filho de ucranianos. Ela chega com as filhas para ocupar uma casa que é da família dele e, a partir daí, se envolve nessa neblina que faz parte da atmosfera de Brígida. A Ignes perde o irmão e não aceita isso. A gente vê que a perda transpassa os personagens, faz parte da ligação entre eles. Hoje, Ignes tem um filho que sofre os efeitos sobrenaturais de tudo o que a Haia constrói por não ter aceitado a morte da filha. Todos os personagens são muito interessantes, eles são múltiplos e têm muitas camadas. Existe muita complexidade. Como eles são ucranianos, eles têm uma dureza sofrida. Você não vê uma lágrima, mas você sente a dor daquela pessoa.

A trama se passa em duas décadas, numa narrativa de idas e vindas. Que diferenças estéticas e de linguagem você escolheu para cada uma das fases?
Existem várias maneiras de abordar tempos paralelos e épocas diferentes. A gente optou por trabalhar na fotografia de maneiras que o público bate o olho e já sabe. A tendência de cor muda entre as épocas. A década de 80 é mais amarelada, tem uma coisa mais primaveril porque nessa época os jovens eram mais felizes, tinham mais vida. Eles tinham mais colorido, muito antes de as tragédias começarem a acontecer. A fotografia atual tem o dia escuro e denso.

Qual a importância da mistura de grandes nomes da dramaturgia com jovens atores na escalação de elenco?
São dois caminhos. Preencho a série com 75% de um elenco novo, desconhecido do grande público. E uso nomes consagrados em personagens que não estamos acostumá-los a vê-los. Eu acho que essa mistura é que traz essa cara de série para o produto.

Quais foram as vantagens de gravar na Serra Gaúcha?
A Ana Paula Maia foi até Prudentópolis para conhecer a tradição ucraniana no Brasil. Mas depois que a história ficcional foi criada, a gente chegou à conclusão de que em cidades como Antônio Prado encontrávamos uma forma de construção que tinha muito a ver com construções ucranianas. No Rio Grande do Sul, tínhamos cidades muito peculiares e também o bosque, que na história tem elementos como cachoeiras, lagos, floresta.

Desalma

‘Desalma’ é uma série original Globoplay, desenvolvida pelos Estúdios Globo, criada e escrita por Ana Paula Maia com direção artística de Carlos Manga Jr. e direção de João Paulo Jabur e Pablo Müller.

Sobre o Globoplay
O Globoplay é a maior plataforma brasileira de streaming, com oferta de conteúdo gratuito e exclusivo para assinantes. Com mais de 840 títulos publicados em 2019 e cerca de 115 milhões de horas de consumo por mês, o serviço reúne conteúdos originais Globo e do mercado audiovisual independente, filmes e séries internacionais renomadas, dentre elas produções exclusivas, que só serão exibidas online. A plataforma conta ainda com uma oferta completa com os canais lineares da Globo através do Globoplay + canais ao vivo, que agrega em um só lugar, além da TV Globo, o Multishow, Globonews, Sportv 1, Sportv 2, Sportv 3, GNT, Viva, Gloob, Gloobinho, Off, Bis, Mais Na Tela, Megapix, Universal TV, Studio Univeral, SYFY, Canal Brasil e Futura. Tudo junto, na mais completa e variada oferta de conteúdo para que o público acesse a qualquer momento e de onde estiver o que está no ar, o que já foi ao ar e o que ainda será exibido.

Comentários do Facebook

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.