Dia Internacional dos Direitos das Pessoas Idosas é tema do Especial ‘Falas da Vida’

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Especial, que faz homenagem no Dia Internacional dos Direitos das Pessoas Idosas, tem apresentação de Zezé Motta

Dia Internacional dos Direitos das Pessoas Idosas
Zezé Mota / foto João Miguel Júnior

Eles representam 18,9% da população brasileira. São mais de 40 milhões de pessoas que trabalham, cuidam, inovam, cantam, apoiam, namoram, sonham e fazem acontecer no cotidiano, na economia, na família e em toda a sociedade. Em um primeiro momento, talvez poucas pessoas associem que estamos falando de brasileiros com mais de 60 anos. E eles são o tema do especial ‘Falas da Vida’ que, não à toa, será exibido no 1º de outubro, Dia Internacional dos Direitos da Pessoa Idosa. A data marca o combate a todo tipo de preconceito e dá voz para essas pessoas, que estão cada vez mais ativas, presentes e necessitadas de reconhecimento dos seus direitos constitucionais das pessoas idosas. Com apresentação de Zezé Motta, atriz e cantora de 77 anos, o especial vai apresentar ao Brasil cinco personagens, até agora anônimos, mas com o potencial de representarem cada um desses milhões de outros, por meio do que eles têm de sobra: suas histórias.

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Patrícia Carvalho

Com direção geral de Patricia Carvalho; consultoria de Hamilton Vaz Pereira; e roteiro de Ines Stanisieri, o especial faz uma homenagem aos idosos brasileiros e reconhece seu papel determinante no país. “Contaremos as histórias de vida e as conquistas dessas pessoas. Todos são otimistas em relação à vida no presente. Queremos fazê-los entender – e os espectadores também – o impacto que têm na vida das pessoas e que muitas vezes nem imaginam”, comenta Patrícia Carvalho.

R$ 2.200,00

A escolha dos personagens respeitou as características desse segmento etário da população, segundo o perfil desenhado pelos dados oficiais do IBGE. Como a maioria das pessoas idosas do país, os velhos e velhas do especial são batalhadores depois dos 60, participam da geração de riqueza na sociedade, moram em vários arranjos familiares e têm renda média em torno de R$ 2.200,00. Mesmo aposentados, trabalham, geram renda e cuidam da família. Muitas vezes, são as pessoas mais importantes da casa, os chefes do lar. Ou seja, quebram tabus associados com a ideia de velhice do século passado.

ILPI

“Vimos algumas histórias que se repetem bastante entre as pessoas idosas, como os que são arrimos da família e além de cuidar dos netos, cuidam de outros idosos; pessoas que precisam trabalhar mesmo com a aposentadoria; e que não imaginavam chegar tão bem à idade que têm. Há, ainda, o idoso empreendedor, que tem uma aposentadoria, mas faz algo dentro de casa para complementar a renda; a que viu sua vida mudar após um divórcio, aquela que turbinou sua autoestima e busca relacionamentos; e o que mora em uma ILPI, instituição de longa permanência pra idosos”, explica Patricia.

Inspiração e coragem

“No início da nossa pesquisa, achamos que um dos maiores medos das pessoas quando ainda jovens é a solidão, ser abandonado pela família. E não é necessariamente isso que acontece. Com cada uma dessas histórias, mostramos a realidade das pessoas idosas, mas também a resiliência e muita disposição para viver o presente. Não existe esse negócio de “apesar da idade”. Apesar de limitações inevitáveis, tudo ainda pode ser sonhado”, comenta. “Acredito que ‘Falas da Vida’ será um especial inspirador e encorajador, nossa expectativa é gerar esse sentimento em quem nos assiste”, finaliza a diretora.

Entrevista Zezé Motta
Você é atriz, cantora, locutora, apresentadora… Como foi retomar ao papel de apresentadora na gravação nos Estúdios Globo? Qual foi o último programa e/ou especial apresentado por você anteriormente na tv?
Sou tudo isso aí acima mesmo (risos). Já apresentei alguns programas na TV Globo e fora, e é sempre uma responsabilidade muito grande. Apresentar um programa vai muito além do lado artista, tem toda a questão de estar atento, entrar e sair no momento certo. Acho que faço isso direitinho. O último programa que eu apresentei na Globo foi nos anos 80, o programa se chamava “Show do Mês”. Éramos eu, Miele, Edwin Luisi e Sandra Bréa.
O que mais chamou a sua atenção nas histórias de vida dos personagens, de uma forma geral? Você se identificou com algum deles?
A força de vontade de estar aqui. Eu me identifiquei muito. Todos ali são resistentes. Resistem todos os dias e não deixam a peteca cair.
Você é vice-presidente do Retiro dos Artistas, no Rio, e tem uma convivência bem próxima com artistas e ex-artistas idosos. Como você analisa o idoso no Brasil? O que poderia ser feito para melhorar as condições desse grupo e proporcionar uma maior qualidade de vida?
É lastimável a situação do idoso hoje no Brasil. Aliás muita coisa é lastimável no Brasil, a começar pela educação, saúde…  Tem a cultura que está esquecida, e por aí vai. Mas tem aquela coisa básica, que é comida no prato hoje, a vacina no braço, e falta tudo isso… Se falta o básico, imagina pensar no idoso? O idoso acaba ficando sempre em segundo plano. Não existe um pensamento elaborado de forma decente para quem atinge a terceira idade. Temos muita luta pela frente.
Do alto de seus 77 anos , você é exemplo de profissional sempre atuando e diversificando o seu trabalho em diferentes áreas. O que a Zezé Motta de agora tem de diferente do período em que era uma jovem iniciante na carreira profissional?
Sem sombra de dúvidas, a maturidade, a bagagem e a experiência. Depois que você vira 50+, passa a enxergar a vida de outra maneira, com outros olhos.
Como é a sua rotina de vida? Você pratica exercícios, tem algum cuidado com a alimentação?
Minha rotina de vida é trabalhar todos os dias. Olha, eu não paro. Minha agenda todo dia tem alguma coisa, dizem que eu sou onipresente (risos).  Na alimentação, não como carne vermelha, evito fritura, doces, e bebo muita água. Uso creme do dedo mindinho do pé ao último fio de cabelo e também gosto de tomar sol e fazer pilates.
O que o amadurecimento do tempo trouxe de benefício para a sua vida?
Desencanei com um monte de coisa. Passei a aceitar outras coisas, e relaxei!
Quais são seus planos de vida? Há algo que ainda sonha em realizar (profissionalmente e/ou na vida pessoal)?
Sonho todos os dias com um mundo melhor, sem fome, sem desigualdade, sem racismo… Esse é o meu sonho de vida.

‘Falas da Vida’

‘Falas da Vida’ tem direção geral de Patrícia Carvalho, direção de Ivone Happ e roteiro assinado por Ines Stanisieri, com produção de Beatriz Besser. Rafael Dragaud é o diretor executivo e Mariano Boni, diretor de gênero. O especial vai ao ar na TV Globo no dia 1º de outubro, logo após ‘Império’; e será exibido ainda no GNT, dia 4 de outubro.

Conheça os personagens de ‘Falas da Vida’:

Bebel (75 anos) – Mora com um filho, a nora, três netos e um bisneto. É a mola propulsora dessa família multigeracional que vê nela a grande inspiração e orgulho para todos eles. Nascida num povoado no coração dos Lençóis Maranhenses, a palavra de ordem de dona Bebel é a educação. Professora desde muito jovem, foi a responsável pela alfabetização da região onde mora. Além de professora a vida mostrou pra Bebel um caminho diferente do que ela estava acostumada, a saúde. Ela abraçou o desafio, passou em um concurso público na área e se tornou uma figura central no apoio às necessidades da sua comunidade. Tanto trabalho e dedicação não impediram que essa pequena grande mulher criasse seis filhos, 15 netos e 11 bisnetos, por enquanto. #ArrimoDeFamília

Chicão (89 anos) – Vive numa ILPI (Instituição de Longa Permanência para Idosos). Escolheu o trabalho como o seu grande objetivo e meta de vida. Foi pedreiro, ajudante geral e faxineiro, e hoje, aos 89 anos, não tem ninguém além de suas lembranças e memórias. Apaixonado pela Folia de Reis, recorda com alegria seus tempos de folião. A gaita e o cavaquinho são suas paixões. Diariamente, Chicão cuida do abacateiro do jardim. Tem dias que ele colhe até 15 abacates com uma engenhosa tranquitana inventada por ele. Alto astral e alegre, agradece profundamente pelo teto que tem, e às pessoas do residencial são sua grande família. #SemPreconceito

Gracinda (72 anos) – Encontrou nas faxinas o seu combustível para a vida. Ex-bancária, casada, mãe de cinco filhos, tinha uma vida estabilizada e confortável, até que a separação a levou a uma depressão profunda. O balde, a vassoura e o pano de chão se tornaram seus grandes aliados e além da arrumação externa que eles proporcionavam, fizeram uma limpeza na dor do seu coração. O orgulho pelo seu novo trabalho inspirou netos e pessoas próximas, e trouxe novos horizontes para sua vida. Hoje ela desfila, é modelo e foi 3º lugar no Miss Jacarepaguá. #Autoestima

Joãozinho Carnavalesco (74 anos) – Joãozinho flertou com o sucesso durante muito tempo da sua vida, fez parte do Trio Mocotó, Originais do Samba e tentou carreira solo. Compositor de “Alegria de domingo”, sucesso cantado em mais de 17 países, seu grande sonho sempre foi ser reconhecido com o autor dessa obra. Hoje vive com a renda de um salário mínimo e pequenos cachês de shows que faz quando é convidado. A carreira sempre foi sua prioridade, e na esteira dessa vida ficaram quatro filhos que hoje sonham em ter um pai mais presente. #MeuTempoÉHoje

Regina (65 anos) – Se a vida fosse uma matemática lógica, poderíamos dizer que destes 65 anos, mais de sessenta foram totalmente dedicados a cuidar de alguém. Regina criou todos os irmãos, ela é a terceira filha de 15. Casou, teve dois filhos biológicos e uma filha de criação, por quem nutre um grande amor. Quando os filhos ainda eram pequenos, André, seu marido, se tornou alcoólatra e durante toda sua vida Regina cuidou dele. Há mais de sete anos, ela cuida da sogra com Alzheimer. Regina é forte, o sorriso está presente no seu rosto, a forma leve como a encara os obstáculos que a vida impôs vão inspirar o telespectador a sacudir a poeira e dar a volta por cima. #RealidadeBrasileira

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