Guga Chacra entrevista Thomas Loren Friedman

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O jornalista Thomas Friedman foi ganhador do prêmio Pulitzer por três vezes

Thomas Loren Friedman
foto divulgação

Em entrevista exclusiva ao correspondente da GloboNews em Nova Iorque, Guga Chacra, o principal colunista de política internacional do jornal ‘The New York Times’, Thomas Loren Friedman, analisa os últimos acontecimentos da guerra na Ucrânia e os reflexos no mundo. Vencedor três vezes do prêmio Pulitzer, premiação mais importante de jornalismo dos Estados Unidos, Friedman avalia que a postura de neutralidade adotada por alguns países em relação aos conflitosé desastrosa e fortalece o presidente da Rússia, Vladimir Putin no ‘GloboNews Internacional Especial’ desta segunda-feira, dia 23.

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Thomas Loren Friedman

“Sem dúvida, uma parte importante da população do mundo, como Brasil, Índia, China e outros, não escolheu um lado nessa guerra. Do ponto de vista dos interesses, eu até entendo. O preço da energia e dos alimentos aumentou muito por causa da guerra. Mas, no fim das contas, não existe um sistema internacional se o líder de um país pode acordar e decidir estuprar o país vizinho. A ideia de que Putin pode destituir o líder eleito democraticamente, instalar-se e reanexar a Ucrânia à Rússia, se isso não é um problema, o que impede a Argentina de resolver tirar um pedaço do Brasil? Ou de os EUA dizerem: “Cansamos dessa história de fronteira. Vamos tirar um pedaço do norte do México, jogar os refugiados lá e criar uma terra de ninguém.” Se as novas regras forem essas, como teremos um sistema internacional estável? Eu até entendo algumas das reações em termos financeiros, mas em termos políticos e diplomáticos, acho isso desastroso”, afirma.

O sistema

O jornalista americano disse ainda que a polarização nos Estados Unidos é preocupante e lembra o que ele presenciou no Líbano durante o período em foi correspondente em Beirute. “O grande problema nos EUA hoje é que muita gente não se sente mais em casa em sua própria casa. Os liberais dizem:A Suprema Corte quer tirar meu direito de abortar? Saia do meu quarto.” E os conservadores dizem: “Vão tirar dinheiro da polícia? Vão me dizer o que meus filhos devem aprender sobre teoria racial e que, como brancos, devem se sentir culpados por crimes cometidos há 150 anos? Saia da minha sala de aula.” E quando isso acontece, as pessoas ficam muito irritadas. Vivenciei quatro anos e meio de guerra civil no Líbano. Eu vi uma democracia multirreligiosa e multissectária desmoronar. O sistema acaba quebrando, e quando ele quebra, não dá para recuperá-lo. Fica impossível”, explica.

Eleições brasileiras, COVID-19 e Amazônia

O colunista falou ainda sobre o impacto na economia mundial com os lockdowns frequentes na China por causa da Covid-19. Sobre as eleições no Brasil, Friedman disse que espera que o presidente que for eleito respeite e proteja a Amazônia, pelo bem do Brasil e do mundo.

‘GloboNews Internacional Especial’

A entrevista com Thomas Friedman vai ao ar no ‘GloboNews Internacional Especial’, nesta segunda-feira, dia 23, às 23h30, na GloboNews.

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